quarta-feira, 9 de maio de 2007

BERLIOZ, Hector - Sinfonia Fantástica, Op. 14

Sem rodeios, Berlioz é mundialmente conhecido por sua maior obra, a Sinfonia Fantástica, obra até então sem equivalência na literatura musical, tanto por sua dimensão, como por sua inspiração e conteúdo musical. Essa obra é considerada o primeiro Poema Sinfônico do qual se tem notícia. Foi composta em 1830, portanto foi escrita na sua juventude. A “Sinfonia Fantástica”, Op. 14 e “Lélio”, Op. 14b, formam um conjunto intitulado “Episódio da vida de um artista”, monodrama lírico formado por seis partes, que complementa a Sinfonia Fantástica.
Dividida em cinco movimentos, ela representa um "episódio da vida de um artista" - não por acaso, subtítulo da obra. Para entendê-la, devemos nos lembrar que, ao escrevê-la, Berlioz estava apaixonado pela atriz irlandesa Harriet Smithson, após a ver atuando na obra Odeon no papel de Ofélia. Esta obra reflete essa paixão de forma sinfônica, musical.
Dez dias antes da primeira apresentação, Berlioz divulgou na imprensa um programa detalhado do plano do drama instrumental em 5 partes.

Cada movimento traz uma explicação:
1 - Devaneios e Paixões: no primeiro movimento o artista descobre-se apaixonado. Pensa na amada, vê a amada em todos os cantos, não pode viver sem ela e transforma-a em uma idéia fixa. Essa idéia fixa é expressa em música na forma de um tema, tocado pelas clarinetas, que representa sua amada. Obs: Esse procedimento é de fundamental importância na história da música: associar um personagem a um determinado tema musical e usar esse tema cada vez que a personagem aparece será a base dos Poemas Sinfônicos de Liszt e dos Leitmotiv de Wagner. Simplificando um pouco a história, é como a música-tema de uma determinada personagem nas novelas.
2 - Um baile: durante um baile da alta roda parisiense, o compositor vê - ou pensa que vê - sua amada entre os casais que rodopiam. Esse movimento, em ritmo de valsa, faz um uso bastante interessante da harpa.
3 - Cena nos campos: para esquecer a mulher amada, o artista vai para o campo. Todavia, não consegue recuperar sua serenidade. A imagem de sua paixão, na forma da "idéia fixa" volta a atormentá-lo.
4 - Marcha rumo ao cadafalso: o artista fuma ópio e sonha que matou a amada, sendo condenado à morte. Esse movimento termina com sua decapitação.
5 - Sabá das Feiticeiras: a mulher que ele amava transformou-se, depois de morta, em uma bruxa. Tem início um Sabá infernal, no qual Berlioz coloca à prova todos os recursos da orquestra moderna. Rápida e estrondosa conclusão.

Um comentário:

Eduardo Patricio disse...

Estou muito feliz por ter encontrado este blog.

Obrigado!